Poor Charlie's Almanack
Popularizou a ideia de carregar uma grade de oitenta a noventa modelos mentais de várias disciplinas, e alertou contra a síndrome do homem com um martelo, que vê tudo como prego.
A leitura do Thiago
Munger sintetizou décadas de decisão de investimento numa ideia simples e exigente, você precisa de uma grade, um latticework, de oitenta a noventa modelos mentais vindos de disciplinas diferentes, física, biologia, psicologia, economia, e usá-los de forma cruzada. O inimigo é a síndrome do homem com um martelo, para quem só tem martelo, tudo vira prego. O especialista que só conhece um modelo aplica esse modelo em tudo e erra previsivelmente.
Para o executivo brasileiro, e particularmente para quem trabalha com IA, esse alerta é cirúrgico. O entusiasta de IA olha qualquer problema da empresa e vê um caso de IA, martelo único. Às vezes o que falta é processo, incentivo, dado limpo ou simplesmente uma conversa, e nenhum desses é problema de modelo de linguagem.
A maturidade decisória vem de ter modelos suficientes para escolher o certo, custo de oportunidade da economia, incentivos da psicologia, vieses da estatística, e reconhecer quando IA não é a resposta. Curiosamente, um bom uso de IA é justamente ampliar sua grade, usá-la para trazer a lente de uma disciplina que você não domina. Mas a régua continua humana.
Decida com muitos modelos, não com um martelo reluzente.
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